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segunda-feira, 12 de março de 2012

pOemAS dO mARCos FERnanDo


Sinais das águas

      Marcos Fernando

Águas que passam
e que pastam
e que deixam rastros de destruição

Águas feito valentes vacas
que mordem as placas
escarafuncham o chão
e deixando as marcas
que permanecerão...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Coitados dos galos
                  Marcos Fernando

O galo canta
não é anunciado um novo dia
nem o novo tempo que vem chegando
O galo canta para demarcar território
O galo canta para provar que está vivo

Dentro de cada sonhador mora um galo
Que
Às vezes canta
Às vezes briga pelo que considera justo

sábado, 14 de janeiro de 2012

Os ventos dos seringais
Esturram no meu telhado
anunciando
que o tempo dos temporais
Se aproxima
escumando feito cachorro doido!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

sErinGal LitEráRIO

O êxido do seringal

                      Marcos Fernando

Ele vevia sartifeito
Numa casa de para peito
Nos fundos do siringal
La tinha munta fartura
“Agua Boa” criatura
Era a colocação
Uma barraca humilde
Ao redor  duma restinga
Cercada de paxiúba
Arrudiada de seringa

Até que um dia sua véia
Abirobô das idéia
De pra cidade mudá
E ficô pono pissica
Até quele tiririca
Si zangô e vei pra cá
Vendêro tudo que tinha
Uma casa de farinha
E um mio pra dibuiá
uma rede puidinha
um pinico e um borná

Quanu chegaru na rua
Era tanta nuvidade
Que inté dona cumade
Cumeçô a si uriná
Cum numeru que tinha
Compraro uma taperinha
Era tão apretadinha
Que aparecia uma linha
Num baju de invasão
O dinhero foi mirrando
O sufoco apertando
As a fiinha mas nova
Tavum ficano formosa
Cairu no mundo então
Ur  menino mais taludo
Sem um pingo de istudo
Cumeçaro a fazer feio
Foru pegá no aleio
A puliça deu uns tiro
Lá si foi o Adelviro
O caçula Aderval mora há anos na penal
E a véia magoada se matou envenenada la detrás da privada
Com todo esse vexame
Acabô teno um derrame
Num sabia que na cidade
Tinha um magote de dificulidade

domingo, 18 de dezembro de 2011

pOemas do Marcos FerNANdo

Pai & filho
                         Marcos Fernando

Eu e meu pai
Vamos jogar futebol
E depois de cansados
Vamos pegar anzol
Botar isca
E pescar o sol
E quando a noite chegar
E a lua for se escondendo
Vamos pegar a viola
Pra ouvir as cordas gemendo!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

pOnderações do mArcos fERnandO



Na cuia grande 

                   Marcos Fernando



No seringal existe um pleno sentimento de fartura. Ter em abundância é  sinônimo de bem viver. Talvez seja um resíduo primitivista originário da índole indígena fundado no nomadismo coletor. E os povos se mudavam, feito índios,  de colocação em colocação, em busca de melhoria. Terras fartas. Onde tivesse bastante caça, látex  e boa água. Até o banho tinha que ser de cuia, de preferência na maior possível. As histórias, os gestos, enfim tudo do universo seringueiro é expresso no grau superlativo absoluto. O exagero faz parte do nosso léxico.

contOs do Marcos FErnanDo

O homem que trancava portas

Marcos Fernando

Era compulsivo. Tinha uma verdadeira obsessão por trancar tudo que via pela frente.  Refém dos seus medos com ele não ficava nada aberto. De tanto trancar tudo um dia, quando percebeu.... Estava trancado do lado de fora de si mesmo e o pânico se aproximava....

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

hiStórias NãO iNvEnTaDaS

Sobre “pilotagens”

                              (Marcos Fernando)


Durante uma visita ao pastor Lázaro  nos pusemos a dialogar sobre governança divina. Manifestei minha mais ampla crença que tudo ocorre de acordo com o plano  de Deus. Enfatizei que Deus é um bom piloto que conduz de forma tão plena que muitas vezes nem se consegue notar sua presença divina de tão sutil que ele é. E o pastor então me contou a seguinte história:  

Certa vez o pastor embarcou em um vôo do Rio de Janeiro (RJ) para Urberlândia (MG). Ao embarcar notou logo um simpático casal de crianças entre 5/6 anos entregues a tripulação confortavelmente acomodados nas poltronas ao seu lado. O tempo estava fechado e no trajeto houveram várias turbulências .
Durante a forte trepidação da viagem os pequenos desenhavam tranquilamente  não se importando nem  quando os lápis caíam. Não se incomodaram nem mesmo quando s mascaras caíram. O pastor suava frio e  impressionado e, curioso, quis saber das crianças a causa de tanta tranquilidade:
- É porque eu confio no comandante – disse uma das crianças -  É meu pai que pilota esse avião!



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